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segunda-feira 8 março 2010

Eu e a Brisa, e o amigo desconhecido.

Ah, se a juventude que essa brisa tras… pudesse revelar para todo mundo a sua sensibilidade e ensinar que a fama e o sucesso não representam nada, ganharíamos séculos de evolução planetária.
Johnny Alf faleceu, dia 4 de março de 2010. Base e fundamento da Bossa Nova. Esquecido por muitos. “Eu e a Brisa” é sua canção mais popular.

Johnny não quis ir para os Estados Unidos, no auge da sua carreira. Aqui ficou. Um bom tempo andou pela cidade de Santos, minha terra natal. Lá inspirou os festivais de música popular da Baixada Santista. Escolheu e selecionou pessoalmente essas músicas. No meio delas, numa folha de papel e numa gravação de um minicassete, seguia pelas mãos de um querido amigo, a minha primeira música: “Flashes da Morte”, esse era o título e o tema, tratando do Vietname, Hiroshima e da “era que encerra, visões da vida e da guerra na morte que espera”.

Ao lado da minha música, centenas de outras vidas depositavam ali uma esperança de dignidade. Jovens compositores, sem certeza alguma de nada e de que muito menos poderiam fazer música, ou ser alguma coisa na vida. Lá estava Johnny Alf. Ele havia trocado a fortuna e a fama americana pelo beijo nas realidades brasileiras.

Alf escolheu minha música, ao lado de outras 40. Mas, fez mais do que isso. Ele, que nunca me viu, nem me conhecia, mandou um portador da organização do festival, na minha casa, com algumas sugestões para melhorar a minha primeira obra da vida.

Minha vida mudou e a de dezenas de jovens amigos daquela época mudou, graças à viagem que o Johnny Alf não quis fazer, para os mercados norte-americanos. Trinta anos depois, em um encontro da velha guarda da Bossa Nova, pela Rádio Eldorado, fui conhecer, cumprimentar e agradecer ao Johnny. Claro, ele não se lembrava mais daquela passagem curta e da sua atitude corriqueira, simples, natural: a de prestar atenção nas músicas de jovens compositores, anônimos, desconhecidos.

Dignidade é o patrimônio superior de uma vida humana. Johnny nunca me viu, não sabia de mim ou da existência de mais um menino do bairro da Vila Belmiro, na cidade de Santos, que brincava de fazer músicas, com um violão azul e barato.

Obrigado Johnny Alf…as brisas manterão sua vida viva em muita gente. Na minha, para sempre! Você não podia se lembrar de mim, mas eu não esqueceria você jamais.

José Luiz Tejon
E-mail: tejon@tejon.com.br
Prof. FGV, Mestre em Educação e Cultura pela Universidade Mackenzie.
Autor de 14 livros.
Site: www.tejon.com.br
Twitter: www.twitter.com.br/luiztejon

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1 Comentário comentaram no artigo

Oscar Rodrigues comentou:

Gostei muito do texto que nos faz refletir sobre a diferença entre o rico pobre e o pobre rico.

Comentário feito em domingo 25 abril 2010 9:49

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